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domingo

história do avesso 1

construiu a casa virada para o chamado caminho chão, um carreiro, que ligava o centro da pequena aldeia ao cabeço. nunca imaginou que esta ficaria num futuro não muito longínquo à sua construção, do lado avesso ao caminho principal.

a casa, não era bonita.
pegando a estrada alcatroada, eram as costas da casa o cartão de visita à chegada ao monte.
uma parede vermelha e uma porta, a chamada dos fundos, por onde entrava e saia a serviço a habitué da cozinha.

o desenhador dera à sala pequena duas grandes janelas. uma delas fazia companhia à porta dos fundos, num pandã entre o vermelho e a parede amarela onde se rasgava a tal janela, dando às traseiras um ridículo Taveirismo, nem sonhado pelo próprio, que à época certamente brincava nas ruas da Picheleira. 

uma casa, vanguardista,  móderna, ousada! 
as traseiras da casa era uma porta feia e uma janela sem sentido, encrostadas a um vermelho febril e um amarelo doente...  

   

será seguro voltar ao lugar a que pertencemos? 

4 comentários:

Legionário disse...

São lugares. Os que nos acolhem. Aqueles onde crescemos. Os que construímos, imediatos, recorrentes.
Mas esse lugar em que vivemos, será onde pertencemos?

Moonchild disse...

Depende da segurança que queres ter! Será que precisas de te sentir segura? Ou é a própria insegurança que te faz avançar?

quanto à casa...nessa aldeia...é sempre uma casa única!


bom dia Lugar Lotado

boa semana

-___-

lugar lotado disse...

Legionário não te sei responder, mas julgo que regressamos quase sempre às origens, mais que não seja em desejo de defunto.


beijo

lugar lotado disse...

Moonchild, será sempre uma casa, a casa.


Beijinho